Escreve-se sobre tudo e sobre nada (arte, em grande parte) consoante a inspiração (e a vontade)

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domingo, 7 de junho de 2026

Sexo e divino podem coexistir?

(Antes de mais, elucido a quem me lê que este é um texto subjetivo.)

Sim, a experiência de sexo e de Deus podem existir na mesma pessoa. Em momentos diferentes, ou no mesmo momento.

Deus é amor. É encontro connosco e com o outro. É caridade e entrega. É bondade e beleza. É luz e verdade. 

Num acto sexual com quem se ama deve haver essa mesma entrega. 

Não é a forma como os corpos se mexem que é divina, é a entrega gratuita e o desejo de amor pelo outro que a promove.

Não é a luxúria, o desejo de querer sexo porque sim; não é a objectificação do corpo do outro como uma forma para atingir orgasmos; não é uma necessidade de fazer crescer uma lista de parceiros, como se de uma lista de compras se tratasse. É a caridade amorosa de viver uma experiência carnalmente quente e afectuosamente bela. 

O sexo, sem esta entrega, é frio e superficial. É uma mistura de cheiros e sabores enjoativos, enojativos. 

O amor é um encontro de dois seres que se unem. 

O sexo é, por vezes, uma obtenção do corpo do outro, ou uma troca do seu. Uma troca do seu corpo por uma explosão de prazer. 

A experiência divina de Deus existe em nós (em todos nós) e é alimentada pela frequência com que nos entregamos à oração, à contemplação. Primeiro, o Espírito Santo fala-nos. Depois fala através dos outros. Depois, fala através do mundo. 

...Ou por uma ordem conhecida exclusivamente apenas por Ele. 

É estando conscientes destas diferentes formas de comunicação do Espírito que nos abrimos a Deus, em primeiro lugar; a nós, em segundo, e aos outros, por fim. A Todos os outros.

A presença de Deus não invalida o sexo e o sexo não invalida a presença de Deus em nós. 

A única forma destas serem incompatíveis é fazendo sexo de uma forma que actualmente é extremamente comum - com o coração fechado ao divino. 

Deus é criador, não é carrasco. 

[Fotografia: internet]




sábado, 6 de agosto de 2016

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Depois de te amar tão loucamente

Depois de te amar tão loucamente,
depois dessa paixão que me abrasou,
depois dessa tesão omnipotente
que os ossos do bom senso devorou,

achei-me um dia só, subitamente,
perguntando-me – agora onde é que vou
sem ninguém a quem amar intensamente,
sem ninguém a quem me dar tal como sou?

E a resposta não veio. Fiquei sozinho
afogando-me em desespero e vinho,
em tristes píveas, em anti-depressivos

e de ti, que hoje és apenas história,
guardo somente a saudosa memória
num pintelho entalado entre os incisivos.

Francisco Correia Pina


                                             (...Soberbo! Soberbo!)

quarta-feira, 20 de julho de 2016

A "geração Y"

Nesta reportagem, afirma-se que a geração Y (nascidos entre 1980 e meados de 90), sendo mais desinibida e liberal, não faz tanto sexo quanto a anterior (nascidos 25 anos antes). São postas em aberto várias hipóteses que talvez expliquem o porquê da diminuição do número de parceiros sexuais, incluem motivos financeiros, viver em casa dos pais, falta de emprego por parte dos elementos masculinos, etc.
Em relação a isto creio (e creio, pois é algo que para mim tem mais lógica) que o motivo principal é exactamente a existência de uma mentalidade mais aberta. Numa sociedade em que não há preconceitos com a relação sexual nem a timidez que evite a abordagem de um elemento do sexo oposto, existirá a liberdade para fazer sexo sempre que se entender e quiser, logo, é perfeitamente normal que esta "geração Y" não pense tanto no assunto, da mesma forma que gerações mais antigas o faziam.
Por isso, acho que, apesar de as hipóteses colocadas em causa sejam minimamente prováveis, o verdadeiro motivo é exactamente o tipo de mentalidade em si.


quarta-feira, 13 de julho de 2016

Uma teoria interessante para ser investigada (bolinha vermelha)



A performance sexual
Título original: Les Performances amoureux
Tradução de Cidália de Brito
Éditions Balland, 1976


"«Beijo-te a cona» está carregado de tanta emoção como o «amo-te»."

Pois, pois está. Acredito que uma frase destas é proveniente de uma grande emoção, nascida no fundo da alma. Lá mesmo do fundo, fundinho... e sou capaz até de chorar, com tanta emoção que me provoca ouvi-la. (Se bem que, infelizmente, a mim nunca ma disseram) Mas, hoje em dia, as pessoas já não estão muito viradas para a emoção.
Não há cá já «amo-te's» sentidos e muito menos «beijo-te o pipi» ditos em tom apaixonado.
São os tempos modernos ...

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Será que um homem sem fod** sabe escrever bem?

Numa entrevista, publicada no site El País, a 19 de Setembro de 2015, António Lobo Antunes começa por afirmar, quando o entrevistador lhe menciona que Lisboa é a cidade de Fernando Pessoa, que a escrita deste lhe causa aborrecimento. Acha-a demasiado semelhante a outros escritores. Admitindo mesmo: "pergunto-me se um homem que nunca fodeu pode ser um bom escritor".
Esta é uma afirmação, um tanto ou quanto... bruta.
Pessoalmente, se fosse o Nandinho, ter-lhe-ia respondido "Se não sou um bom escritor, pega na tua caneta e ensina-me a escrever!", só assim por causa das coisas. Mas como o senhor já não é vivo, também não vale a pena começar com pensamentos necrófilos.

Relativamente ao dito, não concordo, em nada, com a opinião do sr Lobo. Primeiro, porque não há provas que o Fernando não tenha mesmo "fodido" (tem de ter aspas porque é palavrão) com ninguém. A Ofélinha, de certeza que não se aguentava o tempo todo, ao lado dele, só com palavras de amor e beijinhos na boca e... mesmo mais tarde, quando afirmaram que o senhor seria homossexual, também não há provas que ele não tivesse provado o prazer de um membro possante e duro a entrar-lhe pelo cu a dentro (que me perdoem os mais sensíveis).
Por isso, defendo-o vivamente.
Segundo, porque o senhor Fernando era um excelente escritor. Pode ter deixado textos que não agradavam a alguns, mas não há dúvida alguma que ele, como pessoa, era um autêntico génio. Pessoalmente, também não fui fã de certos poemas dos heterónimos. Achava-os realmente aborrecidos. Mas pensando que esses heterónimos fazem parte da pessoa que Pessoa foi, passei a vê-los com outros olhos.
A essência, na minha opinião pessoal, está em todos os escritos que Fernando Pessoa (o próprio) nos deixou, e não nos 3 ou 4 ou 5 estados de espírito, que ele quis separar de si e dar-lhes nome, que criou.