(Antes de mais, elucido a quem me lê que este é um texto subjetivo.)
Sim, a experiência de sexo e de Deus podem existir na mesma pessoa. Em momentos diferentes, ou no mesmo momento.
Deus é amor. É encontro connosco e com o outro. É caridade e entrega. É bondade e beleza. É luz e verdade.
Num acto sexual com quem se ama deve haver essa mesma entrega.
Não é a forma como os corpos se mexem que é divina, é a entrega gratuita e o desejo de amor pelo outro que a promove.
Não é a luxúria, o desejo de querer sexo porque sim; não é a objectificação do corpo do outro como uma forma para atingir orgasmos; não é uma necessidade de fazer crescer uma lista de parceiros, como se de uma lista de compras se tratasse. É a caridade amorosa de viver uma experiência carnalmente quente e afectuosamente bela.
O sexo, sem esta entrega, é frio e superficial. É uma mistura de cheiros e sabores enjoativos, enojativos.
O amor é um encontro de dois seres que se unem.
O sexo é, por vezes, uma obtenção do corpo do outro, ou uma troca do seu. Uma troca do seu corpo por uma explosão de prazer.
A experiência divina de Deus existe em nós (em todos nós) e é alimentada pela frequência com que nos entregamos à oração, à contemplação. Primeiro, o Espírito Santo fala-nos. Depois fala através dos outros. Depois, fala através do mundo.
...Ou por uma ordem conhecida exclusivamente apenas por Ele.
É estando conscientes destas diferentes formas de comunicação do Espírito que nos abrimos a Deus, em primeiro lugar; a nós, em segundo, e aos outros, por fim. A Todos os outros.
A presença de Deus não invalida o sexo e o sexo não invalida a presença de Deus em nós.
A única forma destas serem incompatíveis é fazendo sexo de uma forma que actualmente é extremamente comum - com o coração fechado ao divino.
Deus é criador, não é carrasco.
[Fotografia: internet]

Sem comentários:
Enviar um comentário