Escreve-se sobre tudo e sobre nada (arte, em grande parte) consoante a inspiração (e a vontade)

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domingo, 27 de agosto de 2017

Homem que é Homem (com H maiúsculo)

"Um homem realmente apaixonado, realmente interessado, mas sobretudo realmente homem, não se deixa abalar por nada. Manifesta o seu amor, mesmo que não seja de imediato ou (só) por palavras. Eles não são tão ardilosos nem tão tímidos como as mulheres: têm muito mais dificuldade em disfarçar o que sentem. Querem saber se um rapaz gosta de vocês ou não? Basta ver se ele vos trata como se vocês valessem a pena.
Como se fossem dignas de pequenos ou grandes ajustes, esforços e sacrifícios. 
Quando ele não desanima à primeira, insiste dentro do razoável, se deixa entusiasmar pelo jogo da conquista em vez de se acobardar (ou seja, é másculo e cavalheiro que chegue para compreender quando uma mulher não faz logo uma festa ante os aos seus convites e declarações), se procura ser em tudo agradável e útil (tem uma dificuldade? Ele oferece ajuda. Houve uma má impressão? Ele esclarece o assunto sem mais aquelas) se mostra desejar a sua companhia acima de qualquer outra e faz tudo para que se sinta bem, então é porque se importa e tem boas intenções . 

Caso contrário, se há "mixed signals", se ele alimenta mal entendidos, se vive de indirectas...deixe-se de lado o wishful thinking ou o "ele adora-me, mas...".

Há que ser realista e objectiva: ou não está assim tão interessado, ou até está mas toma a mulher em causa por garantida, ou é um xoninhas que está longe de alguma vez vir a ser um homem a sério. Em qualquer dos casos, quem procede assim não interessa. Nenhuma mulher com sentido de dignidade pessoal deve aceitar menos do que ser tratada como "a rapariga dos sonhos dele". É claro que ninguém é perfeito e todas as relações têm esquisitices e "fases"; mas um homem que ama, e que é realmente masculino, tentará ser um Siegfried sempre que puder, nas grandes e pequenas coisas."
(do blogue da Imperatriz Sissi)


Tive que partilhar o texto. Resume tudo aquilo que penso relativamente ao assunto. E resume também a minha opinião acerca de umas quantas "miúdas sofredoras" (como eu já fui em tempos, convenhamos) que acham que "ele vale a pena, a culpa é da outra", "ele vai arrepender-se e vai ainda ver que me ama só que não sabe", etc e tal (vá, eu fui uma miúda sofredora, confesso, mas não tão avoada assim) e abrem os olhos de uma vez por todas. Homem que é Homem (com H maiúsculo) não arranja desculpas, não acredita em suposições, não vive de indirectas e do "ah, se eu fizer isto, pode ser que assim ela repare em mim, se não reparar é porque não presta" e mil e quinhentos etecetras. Homem que é Homem (novamente repito para se interiorizar bem a ideia) tem um bom carácter, respeita a mulher que gosta, chega-se à frente e luta por ela. Não contra dragões ou outros monstros, mas não se deixando ir abaixo e fazendo por mostrar o quanto ela é especial e imprescindível na sua vida. Isto é um verdadeiro Homem! E nenhuma mulher (uma verdadeira mulher) deve aceitar um homem que não a saiba tratar como merece, nem deixar-se espezinhar por quem não vale a pena. "Mulheres há muitas", é verdade. Mas não há nenhuma como tu. Se ele simplesmente não é capaz de ver isso, então não vale a pena o tempo que perdes com ele, porque depois da fase linda da paixão, vem a fase mais complicada do amor. E uma mulher de verdade quer um homem de verdade ao lado para compartilhar o resto da vida.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

O Ato Nobre

“Um Ato Nobre é uma ação realizada em benefício de terceiros, ausente de qualquer interesse pessoal, refletindo o carácter de quem a pratica ao demonstrar integridade, honra e humanidade.”

Nobre Casa de Cidadania, 2013



O conceito de Ato Nobre é complexo, multidimensional e torna muitas vezes difícil o consenso entre aqueles que o tentam definir. Por esta razão, a Nobre Casa de Cidadania sentiu a necessidade de construir e formalizar este conceito, contando com o contributo dos cidadãos.

Desta forma, na definição de Ato Nobre participaram o Conselho Institucional da Nobre Casa de Cidadania, os colaboradores da Nobre e a comunidade de Facebook Portugal é Nobre, envolvendo cerca de 900 cidadãos nesta reflexão.

Segundo a reflexão do Conselho Institucional, um cidadão tem de demonstrar altruísmo, coragem e desprendimento durante a realização de um Ato Nobre. Neste sentido, para ser considerado um Ato Nobre, o cidadão tem de agir em prol de terceiros e/ou do bem comum, sem qualquer ambição pessoal ou expetativa de retribuição, manifestando coragem na sua ação.

De acordo com a Fundação para a Ciência e Tecnologia, “os atos meritórios são esperados no exercício das funções de cada individuo enquanto cidadão, profissional, familiar e/ou amigo”. Um Ato Nobre é realizado sem qualquer obrigação e é fruto do grau de entrega e de excecionalidade à causa, obra ou ação realizada, podendo no entanto ter sido realizado no âmbito da atividade diária do cidadão.

Um Ato Nobre deve ainda perdurar no tempo e ter um elevado impacto na vida da pessoa beneficiada, sendo que quanto maior for o impacto da ação na vida da pessoa beneficiada, maior é a nobreza do ato.

A realização de um Ato Nobre não está limitada a nenhuma área de atuação, podendo este ser realizado em diversos campos de ação: solidariedade, cuidados de saúde, educação, preservação do ambiente, defesa do património, proteção civil, entre muitas outras.

Qualquer pessoa pode realizar um Ato Nobre independentemente das suas ações passadas, uma vez que, como refere a Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa, o “ato nobre refere-se ao ato em si mesmo, a um ato concreto, independentemente dos méritos ou deméritos anteriores de quem o pratica”. No mesmo sentido, a Polícia de Segurança Pública (PSP) afirma que “nunca é tarde para mudar e nunca é tarde para fazer a diferença pela positiva”.

A partir dos contributos dos cidadãos[1], foi possível perceber que a realização de um Ato Nobre está também associada a um conjunto de valores.

O altruísmo foi o valor mais utilizado para caracterizar um Ato Nobre, estando presente em cerca de 22% das respostas dadas e referindo-se ao conceito de Ato Nobre como sinónimo de solidariedade, entrega e de ajuda a terceiros.

O carácter surge em cerca de 19,4% das respostas partilhadas, constituindo a segunda característica mais valorizada na definição de um Ato Nobre. Esta característica refere-se ao facto de um Ato Nobre estar relacionado com o carácter do cidadão, ou seja, a realização de um Ato Nobre é o reflexo do carácter de quem o pratica, demonstrando características de personalidade como honestidade, integridade, honra e coragem.



“Ser Nobre é ser humilde, leal, verdadeiro e ter valores e princípios dos quais nunca devemos abdicar seja por que motivo for”

(Testemunho Facebook)



A terceira característica mais referida foi o amor, sendo utilizada em 16,3% das definições apresentadas. Para os colaboradores da Nobre e para a comunidade de Facebook praticar um Ato Nobre significa amar o próximo incondicionalmente, agindo com bondade e compaixão para com todas as pessoas.

Analisando com maior profundidade os contributos partilhados, verifica-se que apesar de as principais características identificadas serem o altruísmo, o carácter e o amor, estas surgem em momentos diferentes da realização de um Ato Nobre. O altruísmo e o carácter observam-se como características que o cidadão apresenta no momento da realização do Ato Nobre, enquanto o amor é o que o motiva para a realização do ato em si.

A humildade e o respeito foram outras duas características bastante referidas, constando em 12,6% e 11,1% dos contributos partilhados, respetivamente. A humildade é identificada como a capacidade de reconhecer os próprios erros, defeitos ou limitações e agir de forma simples e humilde perante os outros, enquanto o respeito refere-se a tratar todas as pessoas de forma igual, considerando que todas são igualmente importantes.

Encontram-se de seguida dois exemplos que refletem a maioria dos contributos partilhados sobre o que é um Ato Nobre:



“Ser Nobre é ser íntegro! Pensar, sentir e agir de acordo com o código de honra que molda o caracter para o respeito pela vida em todos os seus aspetos”

(Testemunho Facebook)



“Ser Nobre é a excelência em 3 itens: dignidade, grandeza e generosidade”

(Testemunho Facebook)



Por último, mas não menos importante, um Ato Nobre deve servir de exemplo para as gerações atuais e futuras. Como é referido pelo Corpo Nacional de Escutas, o Ato Nobre deve ser seminal, pois “não se esgota em si mesmo, lança sementes, poderá reproduzir-se/frutificar”. Esta ideia é reforçada pela PSP: “um Ato Nobre, prolonga-se no tempo e influencia de forma positiva os que o rodeiam, quanto mais não seja pelo exemplo que constitui”.

Neste sentido, um Ato Nobre em si deve ter a capacidade de sensibilizar os cidadãos para a importância da sua prática e constituir um exemplo que promova a sua realização. Para a Liga de Bombeiros Portugueses “o reconhecimento e divulgação de Atos Nobres podem levar, seguindo uma lógica bola-de-neve, à proliferação de atos deste tipo”.



[1] Os contributos dos cidadãos foram reunidos através da partilha de 589 comentários no Facebook e da participação de 300 colaboradores da Nobre, permitindo compilar 1485 características, utilizadas para definir o que é um Ato Nobre.

Da página da Nobre

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Cartas de amor a uma amante

O blogue Delito de Opinião é um dos quais tento seguir com alguma assiduidade. Tem temas interessantes e publicações muito bem escritas. A última deixou-me sentida... foi escrita pela Helena Sacadura Cabral e fala sobre as cartas de amor de Mitterrand a Anne Pingeot.
Vale a pena ler. Para quem gosta de histórias de amor ... para ler aqui

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Sabe-se que é amor, quando se faz 200 km a pé

Hoje, durante a hora do lanche, cá por casa, estavam a ver na tv o programa do Rodrigo Faro. Neste episódio, um senhor (não me recordo o nome) tinha ido lá para voltar a conquistar a sua amada Sheila que, segundo o pouco que - não me esforçando por perceber, me enfiaram pelos olhos e ouvidos dentro - ele expulsou de casa, há alguns anos, mais as duas filhas. Depois, segundo o que percebi, ele arrependeu-se e andou a pé 200 Km para voltar a falar com ela e chegou inclusive a dormir na rua durante a viagem.
No estúdio, estava este senhor com o Rodrigo, supostamente a cheirar objectos que lhe faziam lembrar a mulher e as filhas (sim, cheirar) e aparecia numa tv um repórter a falar com a suposta Sheila. Ele pergunta-lhe:
- O que me diz de ele [o ex-marido] ter andado 200 km a pé só para fazerem as pazes?
Respondo eu, alto:
- Que tem boas pernas para andar. [riso maléfico]
Claro que mais ninguém se riu, só eu...
E é por estas coisas que ninguém gosta de mim.
Bolas.

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Depois de te amar tão loucamente

Depois de te amar tão loucamente,
depois dessa paixão que me abrasou,
depois dessa tesão omnipotente
que os ossos do bom senso devorou,

achei-me um dia só, subitamente,
perguntando-me – agora onde é que vou
sem ninguém a quem amar intensamente,
sem ninguém a quem me dar tal como sou?

E a resposta não veio. Fiquei sozinho
afogando-me em desespero e vinho,
em tristes píveas, em anti-depressivos

e de ti, que hoje és apenas história,
guardo somente a saudosa memória
num pintelho entalado entre os incisivos.

Francisco Correia Pina


                                             (...Soberbo! Soberbo!)

domingo, 24 de julho de 2016

O amor, aquele "raio"

...e que raio de raio que é o raio do amor!
Ah, sentimentozinho malvado!



" (...) Michael Corleone viu-se em pé, com o coração batendo-lhe no peito; sentiu uma pequena tontura. O sangue circulava aceleradamente através do seu corpo, através de todas as suas extremidades e chocava-se nas pontas dos dedos das mãos e dos pés (...) Parecia que o seu próprio corpo tinha saltado para fora dele mesmo. E então ouviu os dois pastores rirem.

- Foi atingido pelo raio, hein? - Perguntou Fabrizzio, batendo-lhe no ombro. (...) Você não pode esconder o raio. Quando ele atinge uma pessoa, toda a gente vê. (...) Era a primeira vez na vida que tal coisa lhe acontecia. Não era nada semelhante às suas paixões de adolescente (...) isto era um desejo esmagador de posse, era uma impressão indelével do rosto da rapariga no seu cérebro e ele sabia que ela lhe perseguiria a memória em cada dia da sua vida se não a possuísse. A sua vida simplificara-se, focalizara-se num ponto, tudo o mais não merecia sequer um momento de atenção. (...) Sentiu aquela falta de ar, aquela invasão do seu corpo por uma coisa que não era somente desejo mas uma posse louca. Compreendeu pela primeira vez o ciúme clássico do homem italiano. Estava naquele momento disposto a matar qualquer pessoa que tocasse naquela rapariga, que tentasse reclamá-la, arrebatar-lha. Queria possui-la tão selvaticamente como um avarento quer possuir moedas de ouro, tão famintamente como um meeiro quer a sua própria terra. Nada iria impedi-lo de ter aquela rapariga, possuí-la, trancá-la numa casa e mantê-la  prisioneira só para ele. Não queria que ninguém a visse sequer. A família compreendeu logo que era um caso clássico do «raio»..."

    Mario Puzo, `O Padrinho´


quarta-feira, 13 de julho de 2016

Uma teoria interessante para ser investigada (bolinha vermelha)



A performance sexual
Título original: Les Performances amoureux
Tradução de Cidália de Brito
Éditions Balland, 1976


"«Beijo-te a cona» está carregado de tanta emoção como o «amo-te»."

Pois, pois está. Acredito que uma frase destas é proveniente de uma grande emoção, nascida no fundo da alma. Lá mesmo do fundo, fundinho... e sou capaz até de chorar, com tanta emoção que me provoca ouvi-la. (Se bem que, infelizmente, a mim nunca ma disseram) Mas, hoje em dia, as pessoas já não estão muito viradas para a emoção.
Não há cá já «amo-te's» sentidos e muito menos «beijo-te o pipi» ditos em tom apaixonado.
São os tempos modernos ...

terça-feira, 7 de junho de 2016

Bastava-nos amar

Bastava-nos amar. E não bastava 
o mar. E o corpo? O corpo que se enleia? 
O vento como um barco: a navegar. 
Pelo mar. Por um rio ou uma veia. 

Bastava-nos ficar. E não bastava 
o mar a querer doer em cada ideia. 
Já não bastava olhar. Urgente: amar. 
E ficar. E fazermos uma teia. 

Respirar. Respirar. Até que o mar 
pudesse ser amor em maré cheia. 
E bastava. Bastava respirar 

a tua pele molhada de sereia. 
Bastava, sim, encher o peito de ar. 
Fazer amor contigo sobre a areia. 

Joaquim Pessoa, in 'Português Suave'

sexta-feira, 27 de maio de 2016

POEMA QUADRAGÉSIMO SEXTO












"Peço-te. Não pises as violetas
que trago no olhar.

Falemos dos brilhos estilhaçados
desta casa súbita que é o teu corpo
devoluto. A noite devora as palavras possíveis,
o sofrimento que pulsa em tua boca
e torna a minha boca vulnerável.
O amor é um nada que a liberta, uma luz
que desce dos ombros para o ventre
e fecunda as sementes da tua virgindade,
essa que faz agora parte de uma dor quase
amigável, na lividez do tempo,
e que entregas em minhas mãos, beijando-as,
tornando-te parte dos meus versos, da
minha forma mais profunda de gostar
de ti.

Amar-te, é escrever-te.
Amar-te é deixar que me toques até ser teu,
até que te deites no meu corpo e adormeças
inteira dentro de mim.

Peço-te. Não pises as violetas
que trago no olhar. Cheiram a ti. São para ti.
Um "bouquet" de palavras que floriram
neste tempo de amor."

Joaquim Pessoa em Guardar o Fogo (2013)