Bastava-nos amar. E não bastava
o mar. E o corpo? O corpo que se enleia?
O vento como um barco: a navegar.
Pelo mar. Por um rio ou uma veia.
Bastava-nos ficar. E não bastava
o mar a querer doer em cada ideia.
Já não bastava olhar. Urgente: amar.
E ficar. E fazermos uma teia.
Respirar. Respirar. Até que o mar
pudesse ser amor em maré cheia.
E bastava. Bastava respirar
a tua pele molhada de sereia.
Bastava, sim, encher o peito de ar.
Fazer amor contigo sobre a areia.
Joaquim Pessoa, in 'Português Suave'
Escreve-se sobre tudo e sobre nada (arte, em grande parte) consoante a inspiração (e a vontade)
Escreve-se sobre tudo e sobre nada (arte, em grande parte) consoante a inspiração (e a vontade)
terça-feira, 7 de junho de 2016
domingo, 5 de junho de 2016
Só os sábios têm dúvidas, como diria o outro senhor ...
"Só sabemos com exactidão quando sabemos pouco. À medida que vamos adquirindo conhecimentos, instala-se a dúvida."
J. W. Goethe
J. W. Goethe
sábado, 4 de junho de 2016
Forgiveness
"It's so important to forgive people for their wrongs in your own life because every bit of it was for a reason - it was to form the person that you are." Tyler Perry
É importante, de facto, perdoarmos às pessoas pelas suas falhas. Pois todos nós somos humanos e ninguém é capaz de ser uma máquina perfeita de pura lógica e nunca errar. Além de que, é através do contacto com os erros dos outros, e mesmo através das consequências dos nossos, que aprendemos a viver, bem como tomamos mais consciência de falhas existentes em nós. Que até então nunca as tínhamos notado.
sexta-feira, 27 de maio de 2016
POEMA QUADRAGÉSIMO SEXTO
"Peço-te. Não pises as violetas
que trago no olhar.
Falemos dos brilhos estilhaçados
desta casa súbita que é o teu corpo
devoluto. A noite devora as palavras possíveis,
o sofrimento que pulsa em tua boca
e torna a minha boca vulnerável.
O amor é um nada que a liberta, uma luz
que desce dos ombros para o ventre
e fecunda as sementes da tua virgindade,
essa que faz agora parte de uma dor quase
amigável, na lividez do tempo,
e que entregas em minhas mãos, beijando-as,
tornando-te parte dos meus versos, da
minha forma mais profunda de gostar
de ti.
Amar-te, é escrever-te.
Amar-te é deixar que me toques até ser teu,
até que te deites no meu corpo e adormeças
inteira dentro de mim.
Peço-te. Não pises as violetas
que trago no olhar. Cheiram a ti. São para ti.
Um "bouquet" de palavras que floriram
neste tempo de amor."
Joaquim Pessoa em Guardar o Fogo (2013)
Etiquetas:
amor,
joaquim pessoa,
paixão,
palavras,
poesia
Alvíssaras!
Tudo o que é velho, gasto, usado ... destoa. Já não é necessário.
Ninguém guarda lixo. Coisas que já não são precisas. Segue-se em frente, vira-se a página.
Com os blogues acontece a mesma coisa.
Esta é uma página nova. Não importa a velha, o que importa é o recomeço e tudo o que se pode fazer com ele.
Num mundo virtual, em que até os blogues já estão a perder a audiência, divirtam-se por cá.
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